Helena- Machado de Assis

Como uma boa forma de começar uma história, a história desse livro começa com a morte.
Inicialmente, o livro descreve a morte de um homem, mais especificamente um senhor, era chamado de "Conselheiro do Vale" e deixava um filho (Estácio, formado em matemática, 27 anos), uma irmã (D. Úrsula, uma senhora, de 50 e poucos anos, solteira) , um médico (Dr. Camargo) que era amigo do falecido e pai de Eugênia, que mais tarde viria a ser noiva de Estácio, um padre (Padre Melchior) que também era amigo do falecido, e várias outras personagens que conforme for viável eu irei colocando aqui. Conforme é descrita a morte do Conselheiro, (apoplexia fulminante, pelo que pesquisei, é o nome que se dá ao AVC, derrame),  e do ambiente fúnebre, o livro começa a se desenrolar com o conteúdo de um testamento, e eu, inicialmente, pensei que teríamos uma certa enrolação em cima do conteúdo do testamento do falecido e para minha surpresa, rapidamente tomei conhecimento do conteúdo do testamento: o falecido, que todos supunham ter um único filho, deixa uma cláusula para uma filha que até então todos desconheciam ter ele, e o nome dessa filha, adivinhem, como nada mais sugestivo do que o título, é HELENA.
A tia de Estácio (D. Úrsula), se mostra muito resistente com essa nova figura, que é a filha do Conselheiro. O filho, como bom moço, disposto a agradar e cumprir a vontade do pai, se mostra um pouco desconfiado, mas cumpre a cláusula do testamento, indo a procura da irmã e trazend a mesma para morar com a sua tia e ele na casa deixada pelo pai.
Eugênia, era a noiva de Estácio, filha de Dr. Camargo. Estácio tinha um amigo, recém chegado da Europa (Mendonça), que mais tarde viria a ser o noivo de Helena.
Pois bem, como já dito e esperado a história começa a ganhar "clímax" com a chegada de Helena na casa da família, e principalmente, na relação dela com o irmão. Helena é uma moça inteligente, amante de livros, esperta, sensível....eu diria que é do tipo de pessoa que sabe dar boas respostas, boas observações. Também é descrita como uma moça bonita. Conforme fui lendo o livro, vi que os irmãos estavam se dando bem e que Helena, que causava a desconfiança de todos na casa, aos poucos vai ganhando a confiança, principalmente da tia (D. Úrsula), que acaba se rendendo aos encantos da moça e se apegando a ela.
Conforme passa o tempo, Estácio e Helena se tornam cada vez mais próximos, eu diria que Estácio era até meio obcecado pela irmã, pois fica de olho nos passos que ela dá, quando esta saí de manhã para cavalgar com o pajem, é seguida por ele muitas vezes, fica de olho no que ela lê e etc, e nesse contexto surge um mistério nos passeios de Helena e nós, leitores, o tempo todo ficamos desconfiados de Helena, sempre julgando que há algo de errado nesses passeios e que Helena esconde algo.
Dada a confiança ganha, e a consequente aproximação de Helena com o irmão, o livro acaba dando a entender e custei a acreditar que seu irmão Estácio estava se apaixonando por ela. Pensei "Não, isso não pode, como assim? Que livro estranho, o rapaz está se apaixonando pela irmã..." e realmente tive a confirmação do fato nos capítulos que se sucederam, quando o Padre Melchior afirmou  que Helena e Estácio estavam apaixonados.
 Pensei " Poxa vida, me parece muito imoral dois irmãos se apaixonarem...com certeza alguém aí não deve ser irmão..." e foi quando, no desenrolar das histórias, que acabamos por descobrir a verdade por trás da figura de Helena, a explicação da sua história, do seu passado.  Vocês devem se lembrar quando eu disse sobre os passeios misteriosos de Helena? O livro relata que no local que Helena frequentava havia uma casa, bem velhinha, pobre e quase abandonada. Estácio nessas de seguir a irmã, fere a si mesmo, na intenção de descobrir algo, pede ajuda na casa que viu a irmã entrar, lá acaba descobrindo que vive um homem. Os dois conversam, o homem é bem receptivo com Estácio, e Estácio quer descobrir a relação do homem com Helena, posteriormente, nos capítulos seguintes, descobrimos quem seria esse homem. 
O homem é o pai de Helena. Isso mesmo, Helena e Estácio, ainda bem, não são irmãos. Ele conta a história de Helena, narrando que a mãe de Helena fugiu com o pai de Estácio, indo viver com ele, contando uma mentira de que  ele (o marido) havia morrido, quando na verdade ela havia se apaixonado pelo Conselheiro e fugido quando ele viajara. "Marido" entre aspas mesmo, porque o pai de Helena e a mãe de Helena viviam juntos sem ter oficializado a união. 
Não pense você, caro leitor, que a saga para o conhecimento dos fatos foi simples assim, Helena ficou muito constrangida com toda situação, e partiu dela a verdade dos fatos. Ela sabia de toda a história e quis que Estácio também soubesse. Muito mal, triste, envergonhada, Helena adoece, fica febril e acaba morrendo. O livro começa com uma morte e termina com outra.Todo esse final me deixou com gostinho de..."Nossa, mas já acabou?"; "Que triste isso acontecer...ela morrer" Machado de Assis, como grande escritor que era, consegue transmitir para o leitor todo ambiente fúnebre da história. Nós como leitores, conseguimos sentir a atmosfera da época. Eu reagi com um certo pesar ao fim dado para a história, pois eu realmente esperava que Estácio e Helena tivessem um final, não a nível de conto de fadas dado as telenovelas e aos filmes, mas quem sabe não sairia um casamento...?
Eu aconselho a leitura da obra, é um romance muito rico, detalhado, o vocabulário não impede a compreensão da obra. Como eu já disse anteriormente, a leitura vale a pena porque é possível sentir a atmosfera do lugar. Alguns pontos ficaram meio, no ar, pra mim. Como por exemplo, como que D. Úrsula não sabia de Helena ou da mãe dela, já que supostamente a mãe de Helena morou com o Conselheiro, e  onde estava D. Úrsula em tal momento, uma vez que D. Úrsula sempre morou com o Conselheiro? Talvez, sejam pontos que eu deixei passar com um olhar pouco atento, e uma leitura superficial. 

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